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Atividade física e câncer: mexer o corpo faz diferença?

Foto do escritor: Daryane Rezzuto
Daryane Rezzuto
31 de mai.
5 min de leitura

Atualizado: 21 de jun.


Por Dra. Daryane Rezzuto

Oncologia Clínica | Nutrologia Oncológica - CRM-SP: 191.965 | RQE: 6782


Se você ou alguém que você ama está em tratamento contra o câncer, talvez já tenha ouvido a frase: “Descanse bastante, não se esforce demais.”

O descanso é importante. Mas a ciência hoje mostra algo essencial: movimentar o corpo também pode fazer parte do cuidado oncológico.


Isso não significa treinar pesado, ignorar sintomas ou se forçar além do limite. Significa entender que, quando bem orientada, a atividade física pode ajudar o corpo a lidar melhor com o tratamento, preservar função, reduzir sintomas e melhorar qualidade de vida.


Médico ilustra um artigo sobre atividade física e câncer, com imagem de um homem caminhando ao ar livre e lista dos temas abordados no texto, incluindo benefícios do exercício, tipos recomendados, dose semanal, cuidados e início seguro.

Por que a atividade física não é só um detalhe?


A atividade física pode ter impacto em diferentes fases do cuidado oncológico.


1. Antes do diagnóstico

Pessoas fisicamente ativas têm menor risco de desenvolver alguns tipos de câncer, incluindo câncer de mama, intestino, próstata e pulmão.

Isso acontece porque o exercício influencia mecanismos importantes do corpo, como inflamação, metabolismo da glicose, hormônios, imunidade e composição corporal.


2. Após o diagnóstico

Depois do diagnóstico, manter-se ativo pode ajudar na recuperação física, na tolerância ao tratamento e no bem-estar geral.

Em alguns cenários, estudos também associam maior nível de atividade física a menor risco de recorrência e melhor sobrevida. Mas esse benefício depende do tipo de câncer, fase da doença, tratamento realizado e condição clínica do paciente.


3. Durante e depois do tratamento

Quimioterapia, radioterapia, cirurgia e hormonioterapia podem causar fadiga, perda de massa muscular, piora do sono, ansiedade, redução da capacidade física e perda de independência.

A atividade física, quando individualizada, pode ajudar a reduzir esses impactos.


Não é intuição. São dados de centenas de estudos, revisados pelas maiores sociedades médicas do mundo: ASCO, ACSM, ACS e NCCN todas recomendam que a atividade física faça parte do cuidado do paciente oncológico — sempre adaptada para cada pessoa.


Mas aí vem a dúvida mais comum: "Que tipo de exercício eu devo fazer? Caminhada? Academia? Natação?"

A resposta é que existem dois tipos principais de exercício — e as diretrizes recomendam que os pacientes oncológicos pratiquem os dois, de forma combinada. Entender a diferença entre eles é o primeiro passo para montar um plano que faça sentido para o seu caso.


Exercício Aeróbico x Exercício de Resistência: Qual a Diferença?

Antes de falar em dose e frequência, é importante entender que existem dois tipos principais de exercício — e ambos são recomendados para pacientes com câncer.


Exercício Aeróbico

São atividades contínuas e ritmadas, de intensidade moderada, que usam o oxigênio como principal fonte de energia. Envolvem grandes grupos musculares e duram mais tempo.

Para que serve: melhorar a resistência cardiovascular e respiratória.

Exemplos: caminhada rápida, natação, ciclismo, dança.


Exemplos de exercícios aeróbicos recomendados para pessoas com câncer, incluindo caminhada rápida, natação, ciclismo e dança.

Exercício de Resistência (Musculação)

Também chamado de treinamento de força, envolve contrações musculares intensas contra uma resistência — pesos, halteres, barras ou o próprio peso corporal. As séries são curtas e repetitivas.

Para que serve: aumentar a força muscular, ganho de massa e densidade óssea.

Exemplos: levantamento de pesos, agachamentos, flexões, supino.


Exemplos de exercícios de resistência para pessoas com câncer, incluindo levantamento de pesos, agachamentos, flexões e supino.

Resumindo: Aeróbico = endurance cardiovascular (longo e moderado). Resistência = força muscular (intenso e curto).


Dose, Intensidade e Frequência: O Que Dizem as Diretrizes?


Essa é a parte que a maioria das pessoas não sabe — e que faz toda a diferença na prática. Veja o que as principais sociedades médicas do mundo recomendam para pacientes oncológicos:


Dose (Quanto Exercício por Semana?)

A recomendação é:

  • Pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica de intensidade moderada, OU

  • 75 minutos por semana de atividade aeróbica de intensidade vigorosa

  • Exercícios de resistência pelo menos 2 vezes por semana


Parece muito? Lembre-se que isso pode ser distribuído ao longo de toda a semana — não precisa ser de uma só vez.


Intensidade (Com Que Esforço?)


Intensidade Moderada: Você consegue conversar, mas não cantar durante o exercício. O coração trabalha entre 50 e 70% da frequência cardíaca máxima. Exemplos: caminhada rápida, dança, jardinagem ativa.

Intensidade Vigorosa: Envolve maior esforço, com dificuldade para manter uma conversa. O coração trabalha entre 70 e 85% da frequência cardíaca máxima. Exemplos: corrida, ciclismo intenso, natação rápida.

Para pacientes em tratamento, a intensidade deve ser individualizada e ajustada à capacidade de cada pessoa — e pode variar semana a semana dependendo de como você está se sentindo.


Frequência (Quantas Vezes por Semana?)

  • Exercício aeróbico: distribuído em pelo menos 3 a 5 dias por semana

  • Treinamento de resistência: 2 ou mais dias não consecutivos por semana

Uma sessão de 30 a 60 minutos já é suficiente para trazer benefícios. O importante é a regularidade.


Quanto Tempo Até Ver Resultados?

São necessárias pelo menos 8 a 12 semanas de prática regular para que os benefícios clínicos sejam significativos. Não espere resultados em uma semana — mas saiba que, por dentro, o seu corpo já está respondendo desde os primeiros dias.



Posso Me Exercitar Durante o Tratamento?

Sim. E essa é talvez a maior surpresa para muitos pacientes.


Mesmo durante a quimioterapia ou radioterapia, é possível se exercitar com segurança — desde que o plano seja individualizado.

A abordagem correta é:


  • Começar devagar — pequenas sessões de caminhada ou fortalecimento leve se a tolerância for baixa

  • Progredir gradualmente conforme a tolerância melhora

  • Ajustar sempre conforme as comorbidades, toxicidades do tratamento e condicionamento físico inicial


Pacientes com metástases ósseas, plaquetas muito baixas ou outras condições específicas precisam de avaliação médica antes de iniciar qualquer programa de exercícios. Não porque não possam se mover — mas porque o plano precisa ser adaptado com segurança.



Antes de Começar: Três Pontos Essenciais


Converse com seu médico — antes de iniciar qualquer atividade física, informe sua equipe de saúde. Cada caso é único.


Tenha orientação adequada — sempre que possível, conte com um profissional de educação física experiente em oncologia.


Vá no seu ritmo — não se compare com quem você era antes do diagnóstico. O objetivo é se mover de forma segura e consistente.


Paciente em consulta médica online sobre atividade física no câncer, recebendo orientação individualizada para adaptar os exercícios ao tratamento e à condição física.

Conclusão


Mexer o corpo é parte do cuidado. Não é luxo, não é exagero — é uma das ferramentas mais bem estudadas para ajudar a prevenir o câncer, controlar a doença e viver melhor por mais tempo.


A ciência está clara. As sociedades médicas estão alinhadas. O que falta, muitas vezes, é informação acessível e orientação individualizada.


Se você quer entender como a atividade física se encaixa no seu caso específico — considerando seu tipo de câncer, tratamento atual e condição física —, esse é exatamente o tipo de conversa que faço nas minhas consultas de nutrologia oncológica, com atendimento online para todo o Brasil.


Referências selecionadas

Clique para ver as referências

  1. Ungvari Z, Fekete M, Varga P, et al. Exercise and Survival Benefit in Cancer Patients: Evidence From a Comprehensive Meta-Analysis. GeroScience. 2025.

  2. Trommer M, Marnitz S, Skoetz N, et al. Exercise Interventions for Adults With Cancer Receiving Radiation Therapy Alone. Cochrane Database Syst Rev. 2023.

  3. McTiernan A, Friedenreich CM, Katzmarzyk PT, et al. Physical Activity in Cancer Prevention and Survival: A Systematic Review. Med Sci Sports Exerc. 2019.

  4. Kerr J, Anderson C, Lippman SM. Physical Activity, Sedentary Behaviour, Diet, and Cancer: An Update and Emerging New Evidence. Lancet Oncol. 2017.

  5. Moore SC, Lee IM, Weiderpass E, et al. Leisure-Time Physical Activity and Risk of 26 Types of Cancer in 1.44 Million Adults. JAMA Intern Med. 2016.

  6. Patel AV, Friedenreich CM, Moore SC, et al. Physical Activity, Sedentary Behavior, and Cancer Prevention and Control. Med Sci Sports Exerc. 2019.

  7. Chen J, Li Y, Wang L, Liu Q. Molecular Mechanisms of Exercise in Cancer Prevention and Management. Eur J Cancer Prev. 2025.

  8. Ligibel JA, Bohlke K, May AM, et al. Exercise, Diet, and Weight Management During Cancer Treatment: ASCO Guideline. J Clin Oncol. 2022.

Bloco de identificação da autora do artigo com foto da Dra. Daryane Rezzuto, CRM-SP 191.965. O texto informa que ela é médica, atua em oncologia clínica e nutrologia oncológica, e que o artigo tem caráter informativo e não substitui consulta médica individualizada.


Botão verde de chamada para ação com ícone de calendário e texto “Agendar avaliação nutricional oncológica”, indicando acesso ao agendamento de consulta.



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